Saudação a Valpaços
Neste florido canteiro do mundo
Deteve um dia O Criador seus passos
P'ra contemplar o encanto tão profundo
Deste nosso Concelho de Valpaços
Encantaram-nO olivais de nascente
Atrairam-nO as serras das alturas,
Valpaços, coração da terra quente!
Valpaços, tanto amor, tantas venturas!
Quero, quero cantar-te eternamente
Valpaços, uma estrela a cintilar!
Pôs-te Deus no extremo do ocidente.
P'ra seres um luzeiro a toda a gente.
Valpaços, teu amor, quem não o sente?
Em tua alma tão nobre a palpitar!
Poema dedicado, pelo Pe. Francisco Ribeirinha, a Valpaços no 150.º Aniversário da sua Elevação a Concelho.

A Largada.
Foram então as ânsias e os pinhais
Transformados em caravelas
Que partiam guiadas por sinais
Duma agulha inquieta como elas...
Foram então abraços repetidos
À Pátria-Mãe-Viúva que ficava
Na areia fria aos gritos e aos gemidos
Pela morte dos filhos que beijava.
Foram então as velas enfunadas
Por um sopro viril de reacção
Às palavras cansadas
Que se ouviam no cais dessa ilusão.
Foram então as horas do convés
Do grande sonho que mandava ser
Cada homem tão firme nos seus pés
Que a nau tremesse sem ninguém tremer.
Miguel Torga, Poemas Ibéricos.
Canção sobre Trás-os-Montes, interpretada pelo transmontano Luís Portugal.
SEUS OLHOS
Seus olhos _ se eu sei pintar
O que meus olhos cegou _
Não tinham luz de brilhar,
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como o facho do Destino.
Divino, eterno! _ e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que um só momento a vi,
Queimar toda alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.
Almeida Garret.


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